terça-feira, 3 de junho de 2008

Regional Carioca, novo em folha!

Quero reestrear este blog em grande estilo, com uma grande indicação. É o Regional Carioca, grupo de choro aqui do Rio formado por novos grandes chorões da nossa música. É a renovação do choro com preservação da identidade, da marca original deste gênero centenário. Ana Rabello, talentosíssima, filha de Luciana Rabello e Paulo César Pinheiro, cavaquinista como a mãe é a representante feminina do grupo que também conta com o irmão, o violonista Julião Pinheiro, o bandolinista Tiago Souza, filho de Ronaldo do Bandolim, o violonista Rafael Mallmith e o percussionista Marcus Thadeu. Quando entrevistei o conjunto Época de Ouro, que era regional do Jacob do Bandolim e existe até hoje, eles realmente falaram, principalmente o Bruno Rian, que no choro, a tradição passa de pai pra filho. Esta é a prova, mas que também conta com nomes de peso que estão certamente iniciando a tradição em suas famílias.

Este CD de estréia é muito curioso. Todas as composições são de Joventino Maciel, que até então eu desconhecia, não fosse pelo talento destes novos chorões. Joventino nasceu em Campos (RJ) mas morou grande parte da sua vida em Rio Bonito, também no estado do Rio. Participou de rodas de choro com o mestre Jacob do Bandolim e Pixinguinha . Quem conta esta e outras histórias é Ronaldo do Bandolim, na abertura do encarte do disco, que tomo a liberdade de transcrever aqui:

"No final dos anos 60 tive a honra de conhecer e conviver com este grande músico e compositor, Joventino Maciel (03/05/1926 - 01/10/ 1993), entre as cidades de Niterói e Rio Bonito (RJ), onde constantemente visitava seus ensaios, e esta amizade durou até a morte. Grande conhecedor do choro, evidenciou sua arte ainda em Campos (RJ) onde nasceu e viveu por certo período até mudar-se para Rio Bonito. Participou de rodas de choro com Jacob do Bandolim (que selecionou 30 de suas músicas e gravou o choro Cadência) e Pixinguinha que propôs o nome do choro Mexeriqueiro, que lhe havia mostrado em companhia do bandolinista Déo Rian.

Apesar de bandolinista e lider de seu conjunto Reminiscências, que participou de vários festivais de choro, dominava como poucos o cavaquinho e o violão. Este conjunto hoje é liderado pelo seu filho Ricardo Maciel, também excelente bandolinista, que muito tem feito pela preservação e divulgação da obra de seu pai, contando sempre com a ajuda do irmão de Joventino, o violonista Walter Maciel.

Poucos anos antes de falecer, propus a Joventino ajudá-lo escrevendo parte de sua vasta obra, com o objetivo de preservá-la, dada sua grande beleza e valor. Compôs mais de duzentas músicas, todavia consegui escrever pouco mais de cem. A partir desta listagem, foi escolhido o repertório deste primeiro CD do Regional Carioca.

O grupo é produzido pela Joaninha Produções, de Joana Cunha, competente produtora musical aqui do Rio, e que disponibilizou três faixas do disco de estréia do Regional Carioca."

Tomo a liberdade de também disponibilizar as músicas aqui para você, já que duas delas foram batizadas por ninguém mais ninguém menos que Jacob do Bandolim e Pixinguinha:





Leia também a benção de Paulo César Pinheiro sobre o grupo, que está no encarte do CD e no site da Acari Records, gravadora pela qual saiu o disco.

Turma nova na parada. Mocidade provando que o choro não é coisa antiga, é obra eterna. Juventude tocando muito além dos dois acordes convencionais do imbecilizado padrão pop internacional.Meninada mostrando que o conhecimento, herdado dos velhos mestres, e seu aprofundamento, eleva o espírito, enriquece o acervo cultural de seu país e enobrece a alma humana. Garotada optando conscientemente pela sabedoria do som intemporal e recusando com fibra e valentia a sedução mentirosa do mercado.Moçada começando ja, em seu primeiro CD, a mergulhar no baú os esquecidos, recuperando para o Brasil um compositor, até mesmo de tradicionais chorões, quase desconhecido: o fluminense Joventino Maciel.Rapaziada que sabe o que quer, conhece o que toca, ama o canto de sua terra e prossegue a História. Geração que dá orgulho em quem manteve acesa a tocha que vem passando de mão em mão no Panteon da verdadeira música brasileira.Sangue novo na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Benvindo, Regional Carioca! E que meu santo parceiro Pixinguinha os abençoe e os proteja!

Amém!
Paulo Cesar Pinheiro

De volta em novo estilo

Você pode ter notado que no último mês o Blog não foi atualizado. Peço desculpas, mas estava passando por um período de reformulação para podermos afinar as coisas por aqui. Para quem não sabe, nascerá um novo andante neste mundão e estou me preparando para isso. Então, entrei de licença-maternidade e deixei de dirigir e apresentar o programa Andante, porém, quero dar continuidade a este e outros trabalhos aqui com você, leitor. O nome mudou, Folhas e Tons pretende ser este cantinho pra falar de muita música e também de meio ambiente, com o qual trabalho bastante. Vou colocar minhas matérias, abrir para discussões, não vou deixar de colocar os 56 programas que comandei para enriquecer ainda mais esta troca de informações. Então, novinho em folha, nasce agora o Folhas e Tons. Espero que goste!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Paulão 7 Cordas: a história de quem faz histórias

Um grande músico faz samba com uma nota só. Mas Paulão faz samba em cordas, e ainda por cima 7, as que carrega em seu violão. De 29 de setembro de 1958, ele nasceu no bairro do Estácio, região central do Rio de Janeiro, região das mais significativas para a música popular brasileira. Vindo de uma família de instrumentistas, Paulão 7 Cordas entrou muito cedo no universo do samba. Ainda menino, conviveu com grandes compositores da Mangueira, freqüentando os ensaios da bateria de mestre Valdomiro. Um “arteísta” como ele só , Paulão iniciou sua carreira ao lado de Nelson Cavaquinho. Diretor musical, arranjador, produtor e violonista, o músico ainda acumula em seu currículo parcerias com Nelson Sargento, Tantinho da Mangueira, Argemiro da Portela, João Nogueira, Cristina Buarque entre outros. Trabalha como diretor musical de Zeca Pagodinho há pouco mais de 20 anos. Inspirado pelo samba de Noel e outros mestres, Paulão recebeu o Andante em um estúdio pertinho de sua casa, na Glória, no Rio de Janeiro, para falar de sua trajetória de vida e carreira. E é na melodia das notas das sete cordas de seu violão que o Andante desta semana caminha para contar como tudo começou.

Serviço:
Andante com Paulão 7 Cordas
Terça-feira - 28/04/2008 - 21h
Sábado - 3/05/2008 - 16h
Não perca toda terça-feira, 10h30 da manhã, um Andante antigo no ar!

Texto: Brena Messias e Priscila Steffen

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Daniel Gonzaga traz o urbano e os ritmos nordestinos para o Andante desta semana

Primeiro foi o avô que encantou com sua sanfona e seu baião inesquecíveis. Depois foi o pai, que, com seu canto de protesto, levantou platéias de todo o Brasil. Para não quebrar a tradição, Daniel Gonzaga resolveu trilhar o mesmo caminho e o resultado de mais um belo trabalho está em “Comportamento Geral”.

“Essa obra não é um tributo, não é uma homenagem, não é tristeza, nostalgia ou saudade do meu pai. É uma releitura de algumas músicas e onde eu apresento músicas não tão conhecidas dele também”. "Tá no sangue”, diz Daniel recebeu nossa equipe com muito carinho em uma simpática casinha no bairro das Laranjeiras, zona Sul do Rio de Janeiro, reduto dos fluminenses apaixonados, para falar daquilo que mais gosta de fazer: cantar e compor. Com os ritmos nordestinos do avô, herdados para revelar sua maior inspiração, e as palavras do pai, de sua voz ressoam letras ácidas de protesto, com muita personalidade e pura poesia.
Música de protesto com muita originalidade. Assim definimos “Comportamento Geral”. Para os amantes da família “Gonzaga”, um excelente
aperitivo para aqueles que adoram viajar no tempo, seja ele ontem, hoje ou amanhã... É neste clima de nostalgia que embarcamos no Andante dessa semana. Temos certeza que você vai adorar.

Serviço:
Andante com Daniel Gonzaga
Terça-feira - 15/04/2008 - 21h
Sábado - 19/04/2008 - 16h
Não perca toda terça-feira, 10h30 da manhã, um Andante antigo no ar!

Texto: Brena Messias e Priscila Steffen

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Marco André traz a Amazônia para o Andante desta semana

Um pedacinho do Pará em pleno Rio de Janeiro. É esta é sensação que temos quando conversamos com Marco André. Ele nos dá a impressão de que a Amazônia é logo ali e, com a sua voz, faz a gente embarcar em uma gostosa viagem de batidas, suíngue e cultura regional. Em um bate-papo onde só faltou o açaí, ele falou da sua vida, de seu trabalho, da terrinha e de sua vinda para o Rio de Janeiro, cidade que adotou como morada há 28 anos. “Sou um parioca” (mistura de paraense com carioca), assim, Marco se define.

“Sou engenheiro por formação, mas quando novo, sempre havia em mim esta vontade de ser cantor. Quando vim pro Rio tentar a carreira, vim também cheio de cartas de recomendação na mala, caso a profissão de artista não desse certo. Ia pras entrevistas nas construtoras rezando pra dar tudo errado, pois pode ser engraçado, mas um não na carreira de engenheiro eu encarava como uma motivação para investir ainda mais na carreira de cantor. E graças a Deus, tudo deu errado, ou melhor, deu tudo certo, né!”.

Bom para o Marco, bom para nós, que podemos através de sua arte que deu certo, nos embrenhar pela cultura nortista. “Beat Iú”, seu mais novo trabalho, é um mix de tradições com a música eletrônica da contemporaneidade. Mistura esta que já fora bastante forte em “Amazônia Groove”, seu trabalho anterior. A proposta do “Beat Iú” é de um carimbó acrescentado de batidas cantadas por guitarras, percussão e um mundo de recursos que resulta num som gostoso e que faz surgir em nós aquela coceirinha no pé, aquela vontade boa de dançar.
Não deixe de aproveitar o Marco André no Andante desta semana. Vai dar vontade de tomar o açaí, o tacacá e de dançar carimbó exageradamente.

Serviço:
Andante com Marco André
Terça-feira - 8/04/2008 - 21h
Sábado - 12/04/2008 - 16h
Não perca toda terça-feira, 10h30 da manhã, um Andante antigo no ar!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ana que dá samba: no Andante desta semana

Contagiante, envolvente, vigorosa e ao mesmo tempo doce. Assim podemos resumir a voz de Ana Costa, um canto de passarinho brejeiro que ecoa pelas noites cariocas. Uma palavra somente traduz a personificação da cantora: C-A-R-I-O-C-A-H-O-L-I-C, mas poderíamos também chamá-la de “cantora das noites da Lapa”. Nossa equipe foi recebida pelo dedilhar do samba em acordes graciosos no estúdio da cantora em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Se o samba traduz a alma do povo, Ana canta e interpreta como ninguém o interior de cada um, em canções como Presente de Deus (Alceu Maia e Fred Camacho), Raças Brasil(Luiz Carlos da Vila/Carlos Senna/ Lourenço) e Olhos Felizes (Marina Lima e Antônio Cícero), dentre tantas outras.

Martinho da Villa, Zélia Duncan, Elza Soares e Beth Carvalho são inspirações de peso para Ana, que, através de parcerias tão gratificantes, tornou-se tão querida e reconhecida neste mundo de tradição que é o samba.

Fazendo nossas as palavras dos queridos compositores Marceu Vieira e Tuninho Galante, “Ana Costa, a cantora que todo mundo gosta” afina o Andante desta semana.

Aproveito também o momento para roubar uma cadeira do boteco do amigo Marceu lá do Globo Online para colocar numa das mesas deste meu boteco um tanto itinerante. Eis aqui uma merecida homenagem a Ana Costa, que segundo o dono daquele boteco, com o qual concordo plenamente, já não cabe mais na Lapa, onde floresceu..."Virou cantora do Brasil". Entra lá no Marceu na Lapa e não deixa de ouvir as duas músicas na voz de Ana Costa, uma, a "Blues de Menina", está em seu primeiro disco solo "Meu Carnaval" e a outra, "Geral" foi gravada no show de estréia dos autores da música, fala Marceu Vieira e Tuninho Galante! É pra aquecer antes do programa...

Serviço:
Andante com Ana Costa
Terça-feira - 1/04/2008 - 21h
Sábado - 5/04/2008 - 16h
Não perca toda terça-feira, 10h30 da manhã, um Andante antigo no ar!

quinta-feira, 27 de março de 2008

A hora e a vez de Mart´nália

O Andante do dia 25 de setembro de 2007 recebeu uma carioca de muitos ritmos: Mart'nália. Filha de Martinho da Vila e Anália Mendonça, a cantora nasceu na música. Começou a carreira muito cedo como backing vocal nas apresentações do pai, logo depois se tornou percussionista de artistas e bandas famosas. Apadrinhada por Caetano Veloso, e produzida por Maria Bethânia, hoje já tem cinco discos como cantora.

Nascida em Vila Isabel, Mart'nália sempre teve contato com mundo do samba, mas nem por isso deixou de reinventar o gênero e passear por todos os estilos. Durante o programa, a cantora contou histórias de quando era criança e andava pelas rodas de samba com o pai. Dona de uma musicalidade invejável, toca percussão, violão e piano. Apesar da agenda repleta de shows, Mart´nália ainda arruma tempo para ensaiar e tocar com os ritmistas da sua escola do coração: Unidos de Vila Isabel.

Simpática e descontraída, Mart'nália falou das parcerias com Zélia Duncan (quem gosta de chamar de ZD), Ana Carolina, Moska e Chico Buarque. O Andante apresentou trechos do novo DVD da cantora, gravado em Berlim. O show foi beber da fonte no CD "Menino do Rio", lançado em fevereiro do ano passado. No palco estão também sua irmã Analimar Ventapane (backing vocal e percussão), Alfredo "Doca" Machado (violão), Jorge Ailton (baixo e vocal), Menino Ovídio (cavaquinho e percussão), Cassiano (percussão), Jr. Crispin (percussão) e Macaco Branco (percussão).

A T´nália foi imperdível, indico o disco e DVD dela - Mart´nália em Berlim.
Fotos de Jonatas Castório, o fotógrafo Andante voluntário!
Assista aqui o Andante com Mart´nália. É só clicar no link e cair direto no YouTube.

Entrevista Mart´nália - programa Andante - Parte 1:
http://www.youtube.com/watch?v=-8mpTLrF-zo

Entrevista Mart´nália - programa Andante - Parte 2:
http://www.youtube.com/watch?v=ee-LfUF0Cj8

Entrevista Mart´nália - programa Andante - Parte Final (3a):
http://www.youtube.com/watch?v=jxkIta8dtas

Entrevista Mart´nália - programa Andante - Parte Final (3b):
http://www.youtube.com/watch?v=79bLeNB8rsM

E aqui, um bônus: a equipe que virou fã!